Acabei de comprar o livro da Paulina Chiziane. "Estás toda una africana", o Fernando dizia.
Acho incrível essa minha permeailidade para me sentir. Assim, quando estudava para o mestrado, era a mais judia das judias. O que se explica, pois possivelmente a herança da fuga dos meus avós grita assim aqui. Mas me apaixonava por Max Aub, pela língua espanhola, querendo mais Madrid, porque tb encontrava a história deste país. Lutei na guerra civil. Mergulhei numa espanholidade paralela. Dormi com Max Aub noites e noites. Traindo com Amos Oz, êta, que saudade de Israel...
Depois veio o encanto em ser latina, eu era a latinidade indisfarçável, com nariz, testa e cor da pele negando, espírito, um algo lá dentro querendo ser. Tudo. Cubana, argentina, mexicana, colombiana. Dançando salsa assim, me sentindo uma coisa aurática e latina.
E, por fim, chegaram os africanos. Sou angolana e moçambicana. De Cabo Verde então, nem falar.
E o cinema? Vejo a Turquia na tela e me ponho a chorar. Porque esse lugar me chama. Não sou turca, mas sou turcoapaixonada. Cada dia mais. Esse meu amor que gente ruim interditou, minha viagem planejada pra julho se desfazendo. Não vou chorar.
Meu Senhor, que salada de sangues e desejos sou eu, uma boca por onde falam essas todas. Com paixão grita, grita, grita.
Que bom que existem literaturas, cinemas e alma.
sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009
quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009
Saio todo dia correndo ao livro de Jó. Lá me disseram na primeira vez em que senti essa coisa esquisita que era onde eu encontraria as justificativas para o fato de que quem é ruim consegue prosperar apesar de. Não acho. Consigo entender. Não consigo aceitar. Pior: insisto em tentar ser boa e nem sei pra que. Não preciso mais que Jó me diga, eu acho.
No mais, para dizer que sou boa, mas não santa:
Meu ciúme é destrutivo. Fato. Imagino assim o teu coração dividido, loteado , partido com muitas pessoas saindo à cada janelinha dele. Eu sei que me cabe um quartinho maior, isso eu sei desde aqueles sorrisos primeiros. Eu sinto ciúme aqui de longe. Ai, ai, ai, me sinto péssima. Será que vou esperar o dia em que essa gente for depejada? Mais fácil sair em nomadismo, mais uma vez. Abrir mão? De novo? AAAAAAAIIIIIII, eu vou enlouqecer.
No mais, para dizer que sou boa, mas não santa:
Meu ciúme é destrutivo. Fato. Imagino assim o teu coração dividido, loteado , partido com muitas pessoas saindo à cada janelinha dele. Eu sei que me cabe um quartinho maior, isso eu sei desde aqueles sorrisos primeiros. Eu sinto ciúme aqui de longe. Ai, ai, ai, me sinto péssima. Será que vou esperar o dia em que essa gente for depejada? Mais fácil sair em nomadismo, mais uma vez. Abrir mão? De novo? AAAAAAAIIIIIII, eu vou enlouqecer.
De que ontem saí de casa pra ver O Leitor.
De que o filme olhou bem mesmo assim em mim, pra mim, me jogou tanta coisa aos pés: anjo benjaminiano. Reminiscências , montes.
Que eu me importava e mesmo muito com o que todos diziam, todas as proibições, interitada todinha eu, assim, amando e rodando pneu. Criança feita, de novo. O filme falou. E mais: das sequelas todas que deixei. Tantas. Depois nunca mais nossas vidas se encontraram, nem em cruzamento (pudera, vc agora dirige, eu não, nunca desde aqueles tempos).
Senti saudade e escrevi. Com medo. Que outro desse filme, não dá não.
De que o filme olhou bem mesmo assim em mim, pra mim, me jogou tanta coisa aos pés: anjo benjaminiano. Reminiscências , montes.
Que eu me importava e mesmo muito com o que todos diziam, todas as proibições, interitada todinha eu, assim, amando e rodando pneu. Criança feita, de novo. O filme falou. E mais: das sequelas todas que deixei. Tantas. Depois nunca mais nossas vidas se encontraram, nem em cruzamento (pudera, vc agora dirige, eu não, nunca desde aqueles tempos).
Senti saudade e escrevi. Com medo. Que outro desse filme, não dá não.
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