Acabei de comprar o livro da Paulina Chiziane. "Estás toda una africana", o Fernando dizia.
Acho incrível essa minha permeailidade para me sentir. Assim, quando estudava para o mestrado, era a mais judia das judias. O que se explica, pois possivelmente a herança da fuga dos meus avós grita assim aqui. Mas me apaixonava por Max Aub, pela língua espanhola, querendo mais Madrid, porque tb encontrava a história deste país. Lutei na guerra civil. Mergulhei numa espanholidade paralela. Dormi com Max Aub noites e noites. Traindo com Amos Oz, êta, que saudade de Israel...
Depois veio o encanto em ser latina, eu era a latinidade indisfarçável, com nariz, testa e cor da pele negando, espírito, um algo lá dentro querendo ser. Tudo. Cubana, argentina, mexicana, colombiana. Dançando salsa assim, me sentindo uma coisa aurática e latina.
E, por fim, chegaram os africanos. Sou angolana e moçambicana. De Cabo Verde então, nem falar.
E o cinema? Vejo a Turquia na tela e me ponho a chorar. Porque esse lugar me chama. Não sou turca, mas sou turcoapaixonada. Cada dia mais. Esse meu amor que gente ruim interditou, minha viagem planejada pra julho se desfazendo. Não vou chorar.
Meu Senhor, que salada de sangues e desejos sou eu, uma boca por onde falam essas todas. Com paixão grita, grita, grita.
Que bom que existem literaturas, cinemas e alma.
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